Como anda a competitividade internacional do Brasil?
abr./2014 Pedro | Estrategiando

Há alguns dias foi publicado na revista GV executivo um artigo que escrevi com meu colega Fábio Mariotto, também professor da  FGV e por quem tenho enorme admiração.

O artigo explora alguns dos desafios da competitividade brasileira e destaco abaixo alguns dos pontos mais interessantes para reflexão:

Crescimento ou queda?

Há, tanto no Brasil  quanto no exterior, uma sensação de que nosso país perdeu muito do vigor que exibia anos atrás. Depois de publicar uma capa com a figura do Cristo redentor decolando como um foguete, com a legenda Brazil takes off (“O Brasil decola”), em novembro de 2009, a revista britânica The Economist, divulgou recentemente outra capa, desta vez com o Cristo cambaleando no ar e começando a cair, sob o título Has Brazil blown it? (“O Brasil estragou tudo?”).

 

Has Brazil Blown it

O país também perdeu posição entre os chamados mercados emergentes. Jim O’Neill, influente executivo da Goldman Sachs, que em 2001 cunhou o termo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) para designar os países em desenvolvimento que se destacavam no cenário mundial daquela época, recentemente afirmou que três dessas nações o decepcionaram (Brasil, Rússia e Índia). Outros  mercados têm chamado sua atenção, principalmente países africanos como Nigéria, Tanzânia, Gana e Angola.

As duas avaliações revelam uma reversão de expectativas. Há cerca de dez anos, o Brasil parecia promissor do ponto de vista econômico: suas exportações cresciam, o PIB evoluía satisfatoriamente, os investimentos estrangeiros diretos aumentavam. Recentemente, o quadro se alterou. Muitos observadores expressam essa mudança como uma perda de competitividade internacional, que é  a capacidade de um país produzir bens e serviços que tenham participação crescente nos mercados estrangeiros e  se promover como um ambiente de negócios favorável a investimentos provindos do exterior.

Somos competitivos lá fora?

A competitividade internacional de uma nação pode ser medida de duas formas: por seus efeitos (participação de seus produtos no mercado mundial , produtividade, influxo de investimento estrangeiro direto, etc) ou pelos fatores que contribuem para que ela exista. Na primeira forma, tem-se uma avaliação geral da pujança econômica do país e da capacidade de produção de seus recursos. A segunda, porém, é mais útil, porque permite identificar seus pontos fortes e fracos e aponta  ações que o governo, os setores produtivos e os cidadãos podem empreender para potencializá-la.

O Fórum Econômico Mundial (FEM), publica anualmente os resultados de um levantamento sobre a competitividade internacional de cerca de 150 países. Para cada um é calculado o valor de um Índice de Competitividade Global. Na versão de 2013-2014, o Brasil ficou no 56º lugar entre 148 nações. Entre os BRICs, saiu-se melhor do que a Índia (60º) e a Rússia (64º), mas muito atrás da China (29º), e caiu oito posições em relação ao ano anterior. A Suíça foi a mais bem colocada no ranking.

Esse índice leva em consideração mais de cem fatores que influenciam a competitividade de um país. As medidas podem ser objetivas (como o PIB do país) ou subjetivas (como a flexibilidade na fixação de salários). A classificação, primeiramente, é feita por setor, e depois para se obter o valor final do índice. Por exemplo: no ítem “população”, o Brasil está em 5º lugar, o que indica um mercado grande e potencialmente atraente a investimentos produtivos.

Fatores nos quais o Brasil está bem colocado: população (5º), PIB (7º), participação do PIB no PIB mundial (7º), índice do tamanho do mercado doméstico (7º), regulação das bolsas de valores (7º), saúde econômica dos bancos (12º) e qualidade dos fornecedores locais (16º).

Fatores nos quais o Brasil está mal colocado: importações como percentual do PIB (148º – último colocado); peso da regulação governamental (147º), exportações como percentual do PIB (145º), tempo necessário para iniciar um negócio (144º), efeito dos impostos nos incentivos para investir (140º), carga total de impostos (140º), peso dos procedimentos alfandegários (139º), efeito dos impostos nos incentivos para trabalhar (138º), confiança do público nos políticos (136º), qualidade da educação em matemática e ciência (136º – atrás de Serra Leoa).

O que as empresas podem fazer para lidar com este cenário adverso?

Neste ambiente institucional tão desfavorável, o que as empresas brasileiras podem fazer para buscar competitividade internacional?

Até que ponto a competitividade do país influencia a capacidade das suas empresas competirem internacionalmente?

Estas são duas perguntas que tem desafiado os pesquisadores em estratégia internacional e que discutirei em novo post no próximo mês.

Ficarei contente com contribuições que possam enriquecer este debate.

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