A “destruição criativa” no setor do lixo
ago./2013 Pedro | Ideias Inspiradoras, Inovação e Inovadores

Uma das coisas mais bacanas do mundo da estratégia é a possibilidade de conhecer a lógica e os desafios dos mais diferentes setores.

Semana passada passei dois dias em um seminário com mais de sessenta presidentes de grandes empresas e tive a oportunidade de conduzir uma discussão sobre o futuro de um setor que poucos conheciam: o setor do lixo.

Todos ficaram bastante surpresos ao entender melhor a dinâmica deste mercado que já movimenta no Brasil R$ 8 bilhões por ano e que deve atingir os R$ 30 bilhões até 2025.

Entretanto, o ponto mais interessante da discussão se deu quando o grupo concluiu que, embora este setor vá seguir crescendo, a sua lógica mudará muito nos próximos anos, o que exigirá que as empresas que nele atuam se reinventem completamente, em um típico processo de “destruição criativa” (termo cunhado pelo célebre economista Joseph Schumpeter).

Explico:

Até aqui, o modelo de receita deste setor está baseado cobrança pelo descarte dos resíduos. Isso inclui a coleta (os caminhões de lixo) e a destinação final (os aterros). A cobrança está atrelada ao peso dos resíduos e, nesta lógica, quanto mais lixo, melhor para as empresas.

Entrentanto, esta lógica felizmente está mudando. Algumas empresas de vanguarda na Europa, EUA e, mais recentemente, no Brasil, perceberam a oportunidade de inovar e utilizar o seu expertise em resíduos para abrir um novo negócio: um serviço de consultoria que apoie as empresas a reduzirem a sua geração de lixo.

Ou seja, empresas que ganham dinheiro com o lixo estão ajudando seus clientes a gerarem menos lixo. E como isto pode fazer sentido?

 

(No vídeo acima é possível conhecer o serviço de redução de lixo oferecido pela Waste Management, a maior gestora de aterros sanitários dos EUA)

O que parecia uma grande ameaça está sendo transformado em oportunidade. Ao entenderem que as principais tendências globais apontam para a necessidade de redução da geração de resíduos, perceberam que ao invés de lutar contra esta tendência, poderiam capitanear o processo de transformação do setor. E, naturalmente, ganhar dinheiro com isso.

Trata-se de um belo exemplo de empresas que tem tido a coragem de se antecipar às mudanças do setor e tomar decisões estratégicas que garantam sua vantagem competitiva no longo prazo, mesmo que isto implique em algumas perdas no curto prazo.

Percebemos que estas empresas de vanguarda estão antecipando a “destruição” do setor em que operam ao mesmo tempo em que utilizam as suas competências para liderar a criação de novas oportunidades.

E você, teria coragem para transformar ameaças em oportunidades por meio de um processo de destruição criativa?

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *